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Arquitetura e Construção - fevereiro de 2009

Reportagem

Revista Soluções Inovadoras

Soluções Inovadoras

Bradesco Presença

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Tijolo de solo-cimento: uma solução ecológica para a alvenaria

O tijolo de solo-cimento se apresenta como um substituto para as alvenarias convencionais. É também chamado de ecológico em razão de não precisar ser queimado em sua fabricação. Tem como matéria-prima o solo (terra) e o cimento, que, depois de misturados, são prensados e molhados para a cura. Seu processo de produção não usa lenha (para queima) nem gera gases. Na prática, reduz em cerca de 40% o custo das paredes e em cerca de 50% o tempo da execução da obra.

P: “Redução de cerca de 40% no custo da alvenaria”. Essa economia é um dos fatores que mais atrai o consumidor esse sistema construtivo proporciona. Como isso pode acontecer?

R: A explicação é simples. O sistema construtivo, com o tijolo ecológico, o assentamento não é feito com massa – os tijolos são encaixados, não são feitas as colunas de concreto e isso reduz em cerca de 30% no concreto e no ferro utilizados e, também, não são usados estribos e madeira. Não foi perguntado, mas o tempo da obra é reduzido em cerca de 50% - isso pode ser visto, na prática, no tópico “evolução da obra” em nosso site: www.tijol-eco.com.br.

P: Como e quando a Tijol-ECO decidiu fabricar tijolos ecológicos?

R: Começamos a construir casas em 2000 e era grande a dificuldade em se obter tijolos ecológicos de qualidade no mercado. Os fabricantes (e ainda hoje é assim) são empresas de pequeno porte, em geral familiares, com equipamentos antigos ou de baixa produção, quase todas equipadas com máquinas manuais. As máquinas manuais geram um produto de baixa qualidade, principalmente com variação das dimensões. Alguns poucos fabricantes utilizam máquinas hidráulicas, mas, mesmo assim, a qualidade deixa a desejar, principalmente no acabamento. Em 2004, decidimos instalar uma fábrica em moldes mais modernos e avançados, com equipamentos da mais alta tecnologia. Em junho de 2005 iniciamos a comercialização do produto.

P: Quais as dificuldades na montagem de uma fábrica?

R: A maior delas foi identificar os equipamentos a serem utilizados para produção de tijolos com qualidade. Com isso, descartamos as máquinas manuais, que além da baixa qualidade, têm também uma baixa produção. Apenas um, dentre os fabricantes de prensas hidráulicas satisfez, embora não totalmente, as nossas necessidades na qualidade do produto. Compensamos essa falha modificando os equipamentos, o processo de produção sugerido pelo fabricante e melhorando a tecnologia.

P: A marca Tijol-ECO está cada vez mais conhecida. A que se deve esse fato?

R: Nossa meta ao decidir a fabricação do tijolo era colocar no mercado um produto da mais alta qualidade. Hoje, temos um produto que em muito se diferencia dos outros. Isso é um fato: nossa qualidade é o nosso principal diferencial. Uma sugestão: entre no nosso site: www.tijol-eco.com.br

P: E como foi conseguido isso?

R: Em primeiro lugar buscamos nova tecnologia, investimos muito em ensaios e testes realizados por entidades renomadas (IPT, Falcão Bauer, ABCP e UFERJ), obtendo certificação do produto. Os ensaios e testes estão disponíveis em nosso site. Considerando que nosso produto é um poderoso aliado na construção de casas populares – ideal para o sistema mutirão, onde a casa é construída pelo usuário final, fomos ao CDHU e obtivemos a recomendação para o uso. Essa recomendação também está disponível em nosso site.

P: Qual o mercado que a Tijol-ECO atende hoje?

R: Principalmente o estado de São Paulo, mas também temos clientes no Paraná, Minas Gerais. Mato Grosso, Goiás e Distrito Federal. Em nossas construções usamos tijolos com dimensões 30 x 15 x 7,5 cm, que acreditamos serem mais adequados. É oportuno salientar que o mercado fixou-se nos tijolos com dimensões 25 x 12,5 x 6,25 cm. Esse tijolo é recomendado para construções populares, tanto que nosso preço por milheiro é menor que o tijolo de 8 furos (baiano).

P: A Tijol-ECO também está fabricando máquinas. Quando e por que essa decisão foi tomada?

R: No início do ano passado, recebemos a visita de um empresário interessado em instalar uma fábrica, igual à nossa, na África. Foi firmado um acordo de parceria com nosso fabricante do equipamento: eles forneceriam o equipamento e nós a tecnologia. Em decorrência de problemas operacionais, principalmente da falta de estrutura na assistência técnica, foi descontinuado. Decidimos, então, produzir os equipamentos para entrar no mercado de instalação de fábricas.

P: Há concorrência na produção de equipamentos?

R: Não acreditamos que os equipamentos existentes em fabricação possam produzir um tijolo com a qualidade do nosso. Desconhecemos fabricantes que tenham experiência na produção de tijolos ou construções. Nós temos essa experiência. Outra consideração importantíssima está na segurança que os equipamentos (principalmente a prensa) devem oferecer aos trabalhadores que vão operá-los. Há uma legislação (Nota Técnica no. 16 do DSST do Ministério do Trabalho e Emprego que normatiza a segurança exigida. Não temos notícia que os fabricantes forneçam equipamentos enquadrados nas normas da ABNT. Nossos equipamentos são fornecidos com certificação de enquadramento nessas normas.

P: Qual o valor desses equipamentos?

R: Esse é um ponto importante. As sugestões de mistura e operação, dadas pelo nosso fornecedor, quando compramos nossos equipamentos, tiveram de ser reformuladas. São teóricas e não funcionam. Tivemos de desenvolver nossa própria tecnologia. O que estamos oferecendo é um investimento numa fábrica em turn-key (em funcionamento). Além dos equipamentos estamos incluindo a transferência de nossa tecnologia; uso de nossa marca, e, consequentemente, dos ensaios que fizemos do produto (o custo desses ensaios hoje monta em mais de 150 mil reais); a inclusão institucional em nosso site; o projeto industrial; a logística para obtenção das matérias-primas; a assessoria para obtenção de terreno junto às prefeituras; o treinamento por dois meses de funcionários em nossa fábrica (não só na operação da fábrica, mas também na tecnologia da construção); a sugestão da montagem do contrato social da empresa; o regime fiscal e a introdução de controles operacionais na empresa. Resumindo, não estamos vendendo os equipamentos – estamos instalando fábricas em funcionamento.

P: Quando a TIJOL-ECO iniciou a política de implantação de fábricas?

R: Em outubro do ano passado. Há que se destacar que nossa política é não instalar duas fábricas com menos de 50 km de distância uma da outra; porém, essa distância não limitará o mercado de atuação.

P: Mas qual o valor e expectativa do retorno do investimento?

R: Considerando que já se tenha o terreno, o projeto das instalações para fábrica gira em torno de 50 mil reais (galpão, concretagem e sistema hidráulico para cura, material de apoio, etc.). O valor do investimento dependerá do tipo do equipamento a ser fornecido:

P: É uma franquia?

R: Não. Pensamos em formatar uma franquia, mas isso acarretaria um grande acréscimo no valor do investimento.

P: O que, então, a Tijol-Eco ganha com isso?

R: Nossa empresa, como todas, visa a resultados; porém, além do lucro, ela tem objetivos sociais e ecológicos. São gerados empregos, impostos, além da conscientização e incentivo à preservação do meio-ambiente. Investimos na idéia de que é possível construir sem destruir.

P: Se não é uma franquia, por que a Tijol-Eco inclui o uso da marca?

R: Essa é uma pergunta que tem sido feita com bastante freqüência. O custo dos ensaios feitos tem um custo aproximado de 100 mil reais. Além do lucro na comercialização, é cobrado um fee pelo uso da marca. Como somos parceiros na qualidade, pois deverá ser feita em todos os fabricantes uma auditoria de qualidade, é permitido que utilizem nossos testes, poupando assim o custo dos mesmos.  Nas concorrências que temos participado, esses testes são uma exigência para participação. Em todas que participamos, fomos vencedores, uma vez que outros fabricantes não apresentaram os ensaios.

P: Essa atividade gerará crédito de carbono?

R: O crédito de carbono é algo novo; ainda não está perfeitamente definido com obtê-lo. Acreditamos que sim e estamos trabalhando nisso, devendo-se obter uma resposta em médio prazo.

P: Como garantir essa venda?

R: A nova fábrica é incluída em nosso site na internet, que é muito consultada e tem gerado muitos negócios. Nossa produção de 4 meses está vendida com entregas previstas para 10 meses. Na verdade, tem de ser feita a propaganda no mercado da região. Não esquecer que o negócio detém uma exclusividade que nenhuma outra empresa pode oferecer.

P: Como saber detalhes do investimento?

R: Basta encaminhar um e-mail que enviaremos um demonstrativo detalhado.

P: Qual sua mensagem final?

R: Somos responsáveis por essa maravilha que é o nosso planeta, que tanto nos dá e, espero, dará. Temos de pensar cada vez mais na qualidade de vida e no equilíbrio ecológico. Temos de pensar também que o sonho de todos em ter sua própria moradia pode ser realizado sem prejuízo de nossa grande moradia comum, que é a Terra. Esta é uma oportunidade de concretizar esses sonhos. Lembro a história do beija-flor e o incêndio na floresta... temos de fazer a nossa parte.

Entrevista de Roberto Cláudio Pereira, sócio-gerente da Tijol-ECO Ltda., empresa responsável pela fabricação de tijolos, de equipamentos e pela instalação de fábricas e publicada em vários jornais do estado de São Paulo.

MPEs apoiadas pelo Sebrae-SP desenvolvem novos "produtos ecológicos"

04/06/2008 - A preocupação mundial com o meio ambiente tem levado muitas empresas a desenvolver tecnologias e processos para conquistar novos mercados com produtos e serviços ecológicos. Em busca desse desafio, micro e pequenas empresas apoiadas pelos programas do Sebrae-SP apostam em matérias-primas e processos menos poluentes. Bolsas de lona reciclada e couro vegetal, fluído de corte à base de óleo de mamona, azeite de castanha do Pará, tijolo sem queima e reciclagem de materiais de informática são algumas iniciativas de empresários que acreditam no sucesso dos produtos "verdes".

Matéria veiculada em nosso site (www.sebraesp.com.br), no dia 04/06/08.

http://www.sebraesp.com.br//principal/notícias/materias/2008/junho/4/ntc4.wspx

Outra iniciativa "ecológica" que conta com o apoio do Sebrae-SP, dentro do projeto de Aperfeiçoamento Tecnológico (SebraeTec), é a produção de tijolo de solo-cimento por uma empresa de São Pedro, na região de Piracicaba . Segundo o empresário Roberto Cláudio Pereira esse tipo de tijolo se apresenta como um substituto para as alvenarias convencionais. É chamado de ecológico em razão de não precisar do processo de queima em sua fabricação. A matéria-prima é o solo (terra) e o cimento, que, depois de misturados, são prensados e molhados para a cura.

"O processo de produção não usa lenha, nem gera gases. Na prática, reduz em cerca de 40% o custo das paredes e em cerca de 50% o tempo da execução da obra", afirma o empresário. Com uma produção mensal de 100 mil tijolos, a empresa está ampliando suas atividades na instalação de fábricas para empresários interessados em fabricar o produto. "Nossa empresa, como todas, visa a resultados; porém, além do lucro, ela tem objetivos sociais e ecológicos. São gerados empregos, impostos, além da conscientização e incentivo à preservação do meio-ambiente. Investimos na idéia de que é possível construir sem destruir", diz.

Entrevista dada a Radio SEBRAE - DF